Planos do Governo

Publicado em 25 novembro 2014

6 comentários

O desafio do momento concentra-se na necessidade imediata e impostergável de tratarmos da retomada do crescimento econômico, evitando a continuidade na estagnação do nosso PIB – Produto Interno Bruto. Também é consenso entre muitos especialistas que a melhor forma de se alcançar esse objetivo reside na formulação de planos consistentes para o desenvolvimento, a repotencialização e a consolidação operativa dos setores mais estratégicos e multiplicadores. Nessa fase de transição que antecede o início do mandato da administração reeleita do país, o próprio governo dá sinais de que pretende abrigar alguns desses setores estratégicos em planos específicos de desenvolvimento e em conjuntos de medidas de apoio ou incentivo. Esse parece ser o caso, por exemplo, da ampliação, modernização e reforma dos equipamentos que integram a nossa antiquada, deficiente e depauperada infraestrutura. Bom que se esteja cogitando de um plano desses.


Mas, ao mesmo tempo, não de vê nenhum sinal objetivo de que um plano semelhante estaria sendo cogitado para o subsetor da construção imobiliária. Esse importantíssimo segmento parece fadado a ficar mais algum tempo esquecido, operando muito abaixo da sua capacidade de produção e apresentando como conseqüência perversa, o fechamento de grande número de postos de trabalho. Somente no mês de outubro passado, ocorreu a extinção líquida de 33.556 vagas na Construção Civil, em todo o país, conforme destaquei no tópico antecedente deste blog.


O continuado abandono da construção imobiliária na formulação de planos e políticas de governo, nos anos mais recentes, é incompreensível. Principalmente quando se observa que o segmento reagiu com eficiência e capacidade ao desafio representado pelo Programa "Minha Casa, Minha Vida", ativado pelo governo federal a partir de 2009. Desde então, esse programa já produziu benefícios diretos para mais de cinco milhões de brasileiros e conseguiu reduzir ou equacionar quase a metade do nosso renitente déficit habitacional. Como explicar, então, a recente perda de ritmo das metas governamentais nesse particular, quando ainda existe metade do problema a ser solucionado. Cadê o plano da construção imobiliária?


Nunca é demais lembrar que o segmento da construção habitacional é o único setor da nossa economia que independe da conjuntura internacional e dos efeitos sempre lembrados da crise enfrentada por alguns países importantes. De fato, o segmento da construção imobiliária nacional desenvolveu tecnologia própria sem dependências externas, é formado essencialmente por empresas brasileiras, ocupa mão de obra estritamente nacional e utiliza mecanismos locais de "funding".Em resumo, é um segmento 100% nacional, o que, por si só, seria suficiente para elevá-lo à condição de setor estratégico. No entanto, a importância dele é ainda maior, já que contribui com cerca de 8,9% na formação do nosso PIB – Produto Interno Bruto (agregadamente com fornecedores e outros segmentos afins ou dependentes).


Para concluir, não posso deixar de registrar a existência de condições propícias para a recuperação dos níveis operacionais anteriores, uma vez que, além da parcela remanescente do déficit habitacional e do ingresso anual de quase um milhão e meio de novas famílias em busca de moradia, vemos que o crédito imobiliário no país segue em patamares muito seguros conforme indicadores internacionalmente aceitos, tanto na comparação percentual com o PIB, como na fração de inadimplência corrente. Essa situação decorre, principalmente, da melhoria de renda dos brasileiros nos períodos mais recentes e do baixo nível geral de desemprego na nossa economia. Diante de tudo isso, impossível olvidar a indagação: Cadê o plano da construção imobiliária?

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6 comentários para "Planos do Governo"

andres mendez
andres mendez disse: 25 novembro 2014
A construção e uma atividade empresarial que deve buscar as soluções técnicas fora do âmbito oficial, porque este nosso governo não tem uma base de engenharia avançada
Que o governo cuide do financiamento e da eliminação de barreiras que empresas como MRV com certeza irão incorporar novos processos e novos sistemas que hoje o mundo domina e farão que os programas de habitação social tenham muito sucesso para todos, para empresas , governo e sociedade
Na realidade a tecnologia e o processo construtivo mais eficiente e aquele que não depende de gente e sim do planejamento e do orçamento
Encarregado da RESPONSABILIDADE PELO RESULTADO E O SEGREDO
Andres P Mendez
Andres P Mendez disse: 25 novembro 2014
A construção e uma atividade empresarial que deve buscar as soluções técnicas fora do âmbito oficial, porque este nosso governo não tem uma base de engenharia avançada
Que o governo cuide do financiamento e da eliminação de barreiras que empresas como MRV com certeza irão incorporar novos processos e novos sistemas que hoje o mundo domina e farão que os programas de habitação social tenham muito sucesso para todos, para empresas , governo e sociedade
Na realidade a tecnologia e o processo construtivo mais eficiente e aquele que não depende de gente e sim do planejamento e do orçamento
Encarregado da RESPONSABILIDADE PELO RESULTADO E O SEGREDO
Caio Lucena
Caio Lucena disse: 25 novembro 2014
Olá Rubens, concordo com tudo que foi explanado em sua postagem. Entrei na construção civil em 2008 e estou sentindo que esse é o pior momento desde que iniciei as atividades da minha construtora. Estou construindo 46 unidades habitacionais (MCMV) e o mercado está parado. O que fazer pra aquecer o mercado?
GB
GB disse: 26 novembro 2014
Eu acho que as construtoras deviam parar logo com essa euforia e oba-oba da finada copa e oferecer produtos com preços compatíveis com a realidade.
A especulação acabou graças aos 7x0 da Alemanha, os especuladores já jogaram a toalha, as construtoras acreditavam que eles sempre comprariam qualquer coisa pequena e a qualquer preço, tomaram um pé na bunda dos especuladores, não é a toa que as construtoras estejam com dívidas impagáveis, estoques altos, distratos altos, lançamentos e vendas em quedas, só um louco compraria algo por esses preços absurdos hoje em dia,, melhor esperar algumas delas falirem, como já acontece com pequenas e médias.
Guilherme
Guilherme disse: 26 novembro 2014
Eu acho que as construtoras deviam parar logo com essa euforia e oba-oba da finada copa e oferecer produtos com preços compatíveis com a realidade.
A especulação acabou graças aos 7x0 da Alemanha, os especuladores já jogaram a toalha, as construtoras acreditavam que eles sempre comprariam qualquer coisa pequena e a qualquer preço, tomaram um pé na bunda dos especuladores, não é a toa que as construtoras estejam com dívidas impagáveis, estoques altos, distratos altos, lançamentos e vendas em quedas, só um louco compraria algo por esses preços absurdos hoje em dia,, melhor esperar algumas delas falirem, como já acontece com pequenas e médias.
Olivio Santos
Olivio Santos disse: 27 novembro 2014
Embora isto esteja muito claro a todos, não nos parece uma questão de querer do Governo, mas de capacidade de gestão.
Sabemos que, nos últimos anos, o Governo tem se dedicado quase que exclusivamente em debater e se defender de trambicagem, roubos, desvios de dinheiro público e corrupções.
O STF não faz outra coisa a não ser julgar e avaliar denúncias de escândalos, que tomam suas agendas dia e noite, esquecendo que há também outras causas importantes a serem avaliadas, de interesse social e coletivo.
E, isto não irá mudar - pelo menos enquanto permanecermos sob a gestão desse Governo que, mais tem feito pelo Países aliados de sua política, do que propriamente pelo País que Governa.

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