A Ditadura dos Burocratas e dos Aloprados

Publicado em 28 outubro 2015

18 comentários

Eles são muitos, se espalham como um polvo malévolo por todas as partes e dominam a maioria das posições de influência ou decisão nas principais instituições nacionais, incluindo algumas grandes entidades de classe de natureza empresarial. No entanto, apesar de muitos, todos eles juntos não passam de uma pequena minoria diante do tamanho da sociedade brasileira que os sustenta. Assim, a ação nefasta dos burocratas e dos aloprados nada mais é do que a ditadura de uma minoria que submete e asfixia a imensa maioria dos brasileiros com decisões absurdas, obrigações estapafúrdias, regramentos irracionais, preferências tecnológicas duvidosas e escolhas filosóficas antiquadas. Isso ocorre, apesar da desproporção numérica apontada, por conta dos mecanismos de delegação de competência que foram sendo progressivamente adotados, seja no âmbito legal, seja na regulamentação administrativa, e que acabaram fazendo com que essas categorias de semideuses amealhassem um incrível poder de interferência na economia, na administração e na vida diária das pessoas comuns. Menciono e nomeio duas categorias porque o sistema resulta da simbiose dos burocratas, formados no âmbito interno das estruturas administrativas – que incluem aqueles que usualmente são designados como "corpo técnico", e dos aloprados, dispersos no meio político, encastelados em cargos chave ou agrupados em ONGs que dependem do Estado – que incluem tanto o conjunto que costuma ser identificado como "formadores de opinião errada", como os "populistas", nostálgicos de ideologias superadas.


Já apontei, explicitamente, alguns efeitos desastrosos da ação desse sistema no setor imobiliário, que conheço mais de perto. Lembro-me de ter abordado diversas vezes os custos elevadíssimos e a perda de produtividade gerados pela burocracia infernal na aprovação de projetos e no licenciamento de empreendimentos, sem qualquer vantagem para a sociedade. Mencionei, também, em texto específico, a questão das novas tomadas de energia (plugues) que se tornaram obrigatórias no Brasil com a ação combinada do CONMETRO – Conselho Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Resolução N° 08), com a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas (Norma NBR 14136) e atos subseqüentes. O fato é que ficaram proibidas no Brasil, a partir de 01/01/2010, a fabricação e a importação de aparelhos elétricos ou eletrônicos que não tivessem rigorosamente de acordo com o novo padrão (particularíssimo e que não encontra similar em todo o mundo). Os mesmos atos proibiram, também e expressamente, a comercialização do padrão antigo em todo o território nacional a partir 01/07/2011. Mais uma vez, os tecnoburocratas agiram com o seu viés habitual, já que para eles, todas as coisas devem ser classificadas, unicamente, como "proibidas" ou como "obrigatórias". Não existe meio termo. Na ocasião, para ilustrar o absurdo da situação, observei que os proprietários de todas as unidades habitacionais construídas pela MRV Engenharia no padrão antigo teriam uma despesa total para a conversão obrigatória, da ordem do custo integral de construção de 250 unidades habitacionais novas! O mais importante é que tratava-se da reedição de um mau passo, se consideradas todas as conseqüências perniciosas de decisões anteriores, que abrangeram desde o especialíssimo padrão PAL-M adotado no nosso sistema de TV em cores até o famigerado formato Telebrás criado para as conexões telefônicas que adotou uma base enorme, de 4 x 4 cm, com quatro pinos chatos de grande tamanho.


Nesses exemplos, eu não precisaria ater-me às coisas diretamente ligadas ao mercado imobiliário. Outras situações absurdas do mesmo tipo afetam diretamente a economia das pessoas comuns. Quem já se conformou com a trapalhada produzida recentemente pelo CONTRAN – Conselho Nacional de Trânsito, que, em incompreensível sucessão, decidiu pela obrigatoriedade de um tipo novo de extintor de incêndio para veículos (ABC) e, logo em seguida, aboliu o uso desse equipamento e de qualquer outro, por dispensável e contraproducente? Esses não são exemplos esparsos e raros. Se examinarmos as decisões que reservam terras e terrenos para a ocupação por parte de uma fração desproporcionalmente pequena da nossa sociedade (terras indígenas ou invasões urbanas, por exemplo) ou aos impedimentos e obstáculos impostos indevidamente a um grande conjunto de atividades produtivas, fica muito mais fácil entender a nossa perda progressiva de produtividade interna e a nossa dificuldade crescente de competição no mercado globalizado. Precisamos modificar isso, enquanto ainda é possível.

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18 comentários para "A Ditadura dos Burocratas e dos Aloprados"

Andres Mendez
Andres Mendez disse: 28 outubro 2015
ASSIM SOMOS,MUITO BEM EXPLICADO, TEMOS A CULTURA DE TRABALHAR COMPLICANDO E NUNCA FACILITANDO
NO SERVIÇO PUBLICO ATE UM RECEPCIONISTA OU PORTEIRO COMPLICA ESSA CULTURA PARA MUDAR DEVE COMEÇAR PELAS EMPRESSAS, ADOTANDO PRATICAS SUSTENTAVEIS, ETICAS E TRANSPARENTES
UMA VEZ ISSO ACONTECENDO NAS EMPRESAS O ESTADO VAI SEGUIR O MESMO CAMINHO PORQUE O FORMADOR DE CIDADÃOS E A EMPRESA
QUANTO MAIS FRACAS AS EMPRESSAS MAIOR A BUROCRACIA, MAIOR A CORRUPÇAÕ, ETC
Agnaldo Alves
Agnaldo Alves disse: 28 outubro 2015
Gostei do rótulo "formadores de opiniões erradas". Gerdau também os classifica dessa forma. Precisamos de mais inteligencia no servico público e nas entidades de representação de classe!
Ricardo Adriano
Ricardo Adriano disse: 28 outubro 2015
Muito bem abordado o tema. A Burocracia acaba com qualquer legado. Pior, é que nos vemos em um mundo, onde muito gente acha a burocracia essencial para a organização do estado e das empresas.
Ruy Rodrigues
Ruy Rodrigues disse: 28 outubro 2015
Com três Palavras o Rubens Menin sintetizou a situação atual do Brasil.Também podemos dizer que:Estão nos oferecendo dificuldades para nos VENDER facilidades!
carlos caetano
carlos caetano disse: 28 outubro 2015
Parabéns. Infelizmente, vivemos para servir sempre, país sem cultura e sem preparo, " todos " mandam, e nós como animaizinhos de presépio obedecemos. O Estado Burocrático, até quando? As Universidades cada vez mais aparelhadas de aloprados, cada vez mais a deserviço da nação.Facilitar nunca, complicar sempre. Agora vem o CAR, parece que inventaram a roda.
PAULO RIBEIRO
PAULO RIBEIRO disse: 28 outubro 2015
concordo plenamente com sua explanação, porém, estamos tolhidos de nos resguardar de qualquer proteção, pois na esfera judicial, o que mais vemos são a venalidade e a incompetencia do servidores ao nos atender,e assim ficamos a merce do salve-se quem puder. Este é realmente o País do faz de conta, não ví nada, não ouví nada, não sei de nada. Saudade de Castelo Branco, que ordenou e moralizou nosso país, e esta safra de PULITICOS já fizeram por onde destruir tudo o que construimos ao longo desse período.
PAULO ROBERTO NOGUEIRA RIBEIRO
PAULO ROBERTO NOGUEIRA RIBEIRO disse: 28 outubro 2015
concordo plenamente com sua explanação, porém, estamos tolhidos de nos resguardar de qualquer proteção, pois na esfera judicial, o que mais vemos são a venalidade e a incompetencia do servidores ao nos atender,e assim ficamos a merce do salve-se quem puder. Este é realmente o País do faz de conta, não ví nada, não ouví nada, não sei de nada. Saudade de Castelo Branco, que ordenou e moralizou nosso país, e esta safra de PULITICOS já fizeram por onde destruir tudo o que construimos ao longo desse período.
Jeronimo Borges
Jeronimo Borges disse: 28 outubro 2015
É uma ditadura dos partidos políticos. Eles se unem como sócios para ganhar, depois dividir o bolo, (coligações partidárias) Eles que escolhem os candidatos que lhes convém, eles obrigam o povo a votar (voto obrigatório); alguns dos escolhidos recebem votos dos partidos(voto de legenda) eleitos se tornam pau madados dos donos dos partidos (votos em bloco).São os criadores das regras para se perpetuarem nos cargos, ainda fazem de seus familiares herdeiros não só do nome político, como também dos votos de legenda.
jason claret vieira
jason claret vieira disse: 28 outubro 2015
todos funcionários públicos , deveriam receber por produção, ate mesmo os políticos, que são os funcionários públicos quam maior respossabilidades.porem eles , mandam e desmadam e não se importa
com desenvolvimento , preferem criticar , fulano e ciclanos.quanto mais, eles tentan derrubar os adiverssarios, mais elaes ganham, mídia?
cnclusao funcionário publico, e igual a historio
de holandro Boldrin=
as vez mim dar uma vontade louca de trabalhar.
mas encosto numa sombra e espero a vontade passar.................
Caçador de ilusões
Caçador de ilusões disse: 28 outubro 2015
Ótimas considerações, Sr. Rubens.
Falta agora sua reflexão sobre a aliança populistas/comunistas/empresários, que tomaram de assalto o BNDES e o Tesouro, proporcionando a quebra do país e a formação de uma das cinco maiores bolhas imobiliárias da história econômica global.
Nunca antes neste país.
Helvecio
Helvecio disse: 28 outubro 2015
Parabens pelo artigo.
Na área da saúde que luta com uma limitação enorme de recursos, principalmente na atividade pública, não houve a adequação das unidades hospitalares ao novo padrão de tomada, mesmo nos melhores hospitais.O resultado, são inúmeras "gambiarras", usadas para a adequação dos diversos aparelhos ao sistema de energia.Não são raras as vezes que nos vemos impossibilitados de desempenhar a função por falta de um adaptador. Para evitar maiores transtornos, tive que comprar um adaptador para uso pessoal e teve de ser no mercado paralelo pois no mercado regulamentado a venda é proibida. Quem ganhou com isso? Pessoas honestas é que não foram.
Ary Barbosa Santos
Ary Barbosa Santos disse: 29 outubro 2015
Rubens Menin falou toda verdade que entrava o progresso do nosso país,e ainda se acham importantes estas porcarias que atazanam a vida dos brasileiros .Sem falar na justiça do nosso país que é das piores do mundo e por isto não é respeitada.Nossa saúde também está uma porcaria,estamos classificados pela OMS em 125 centésimo vigésimo quinto lugar,junto com a Bolívia que está em 126.Nosso ensino é mais uma venda ou doação de diplomas com pouco conhecimento e muitos diplomas .
Emerson Rodrigues
Emerson Rodrigues disse: 29 outubro 2015
É muito fácio, alguém que nunca esteve na iniciativa privada fomular e aprovar leis ou até mesmo resuluções como a do contran ou conmetro. Estes individuos não tem noção de quanto custa para se manter no mercado, uma vez que muito provavelmente, sempre foram funcionários públicos, e logo não tem à preocupação de quanto custa ganhar um dia no mercada de trabalho ou qual o custo para fazer novos investimentos. Dessa forma fazem as resoluções e obrigam a todos nós, a aderir as novas práticas ou normas por eles aprovadas. E o pior para as montadoras eles deram um prazo até 2020 para exigir cinto de segurança e encosto de cabeça para todos os ocupantes. Já para o pequeno empresário, é partir do momento em que eles definem as novas regras. 2 pesos e 2 medidas.
Luiz Parussolo
Luiz Parussolo disse: 08 novembro 2015
Isso é um mínimo. Somos domados por pessoas que não sabem trabalhar, não sabem produzir, não sabem gerar coisa alguma, não sabe comprar e vender, não sabem e nem possuem sensos de dimensão e valoração, não sabem julgar e avaliar, não sabem decidir e mandar e tudo aqui, inclusive nós, pertencemos a eles e trabalhamos para eles. O império dos burocratas. Mas isto tem um sentido claro além de levar o país ao atraso e ao sucateamento: Submeter toda a nação ao estado e é o que acontece. Tem a dinastia imperial burocrática judiciária, com mais de 100 milhões de processos e até 20 anos para julgamentos; os registros de patentes, até 10 anos, por exemplo. Tudo e tudo e vem de longe, mas com esse modelo de governo estatizou tudo subordinando ao pensamento de quem nada faz mas tem a delegação exclusiva de ligar e desligar o plug sem saber também o por que de sua função, carrasco cego.
Rodrigo Cabral
Rodrigo Cabral disse: 10 novembro 2015
Mais uma excelente reflexão....agradeço o compartilhamento de suas ideias!
Andres Mendez
Andres Mendez disse: 11 novembro 2015
É uma doença que deve ser combatida para eliminar riscos a saúde e a felicidade
Nestas horas Deus deve nos guiar para encontrar as soluções já que mesmo uma doença comum, merece nossa maxima atenção e cuidado na escolha do remedio certo
Este povo merece muito mais do que tem conseguido ate hoje, temos tudo para progredir como sociedade
Rubens Menin
Rubens Menin disse: 23 novembro 2015
Obrigado por acompanhar e participar do Blog, Rodrigo.
Cláudio Aureliano Silva
Cláudio Aureliano Silva disse: 17 novembro 2015
Tenho grande admiração, por tudo que o senhor faz! Sua parcela de contribuição para o crescimento e desenvolvimento do "nosso País" é simplesmente fantástica! Más, infelizmente no nosso País, enquanto alguns constrói... Outros destrói!!!
O senhor é prova de que as pessoas podem ser muito bem sucedidas, sem precisar de usar de desonestidade, para com o povo brasileiro, que já é tão prejudicado.
gostaria que existissem mais empresários, com pensamentos e ações,semelhantes às suas!
Ao senhor, eu desejo que Deus continue o abençoando e lhe proporcionando bastante saúde, para que possa dar continuidade a esse trabalho. Trabalho esse, que vem realizando o sonho de tantas famílias, menos afortunadas nesse País. Parabéns!!!

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